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Estudos e Informativos

Nos últimos anos, o mosquito da dengue passou a transmitir também a febre Chikungunya, em 2014, e o vírus Zika, em 2015. Este relacionado aos casos de microcefalia.

Para enfrentar da situação, o Ministério da Saúde preparou uma série de informes e protocolos sobre dengue, chikungunya, Zika, a relação deste vírus com microcefalia e monitoramento das alterações no crescimento e desenvolvimento, identificadas da gestação até a primeira infância. Os materiais são constantemente atualizados nesta página, para subsidiar gestores e profissionais de saúde.

Os protocolos de vigilância e de atenção à saúde foram atualizados e reunidos em um só documento “Orientações Integradas de Vigilância e Atenção à Saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública”, elaborado pelo Ministério da Saúde, por meio das Secretarias de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

O Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios contam com o apoio das instituições e especialistas nacionais, por meio da Rede Nacional de Especialistas em Zika e Doenças Correlatas (RENEZIKA), além da participação direta da Rede Mundial de Alerta e Resposta aos Surtos da Organização Mundial da Saúde (OMS), denominada GOARN (Global Outbreak Alert and Response Network).

A integração dos dois protocolos busca ampliar as ações e serviços relacionados ao monitoramento das alterações no crescimento e desenvolvimento, identificadas da gestação até a primeira infância, podendo estar relacionadas às infecções pelos vírus Zika, sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes simplex (STORCH+Zika), além de outras etiologias infecciosas.

Esta versão apresenta as definições atualizadas para notificação, investigação e classificação dos casos, que foram elaboradas em consenso com representantes de Sociedades Científicas Médicas, outras instituições e especialistas convidados. O documento ainda apresenta links para documentos relacionados, como de protocolos clínicos e dos sistemas de notificação.

A edição também apresenta novas orientações para investigação laboratorial e continuidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde. Tendo em vista as várias lacunas ainda existentes no conhecimento sobre a infecção pelo vírus Zika, sua patogenicidade, características clínicas e potenciais complicações, as informações e recomendações do novo protocolo unificados constantemente passam por revisão, frente a novos conhecimentos e evidências, bem como à necessidade de adequações das ações de vigilância e atenção em cenários epidemiológicos futuros.

Para isso, o Ministério da Saúde pede apoio e empenho de todos os profissionais e instituições de saúde para que notifiquem toda situação que se enquadrar nas definições de casos vigentes, assim como algum fato não descrito que julgue relevante a ser considerado pela saúde pública.

    Na atenção básica

  • Avalie o risco epidemiológico para infecção por vírus da Dengue, Chikungunya e Zika, orientando quanto às ações de prevenção e controle e combate ao mosquito Aedes aegypti;
  • Oriente para que se evite ir a lugares com presença do mosquito e para a necessidade de eliminar possíveis criadouros existentes em casa, como também, o acúmulo de água em latas, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros;
  • Oriente também para o uso de telas nas portas e janelas para o mosquito não entrar;
  • Ressalte, principalmente para as gestantes, as medidas para a proteção contra a picada do mosquito: vestir calça e blusa de mangas compridas e, se portar roupas que deixem áreas do corpo expostas, usar repelente. É importante verificar atentamente no rótulo a concentração do repelente e definição da frequência do uso para gestantes;
  • Busque os meios disponíveis para garantir o acesso aos métodos contraceptivos e promova estratégias de educação em saúde sexual e reprodutiva envolvendo mulheres, homens, jovens e adolescentes, reforçando o planejamento reprodutivo e fornecendo subsídios para a escolha livre e informada. É importante reforçar o aconselhamento pré-concepcional;
  • Para as gestantes, oriente quanto à suplementação de ácido fólico e sulfato ferroso conforme preconizado pelo Ministério da Saúde;
  • Oferte o teste rápido de gravidez e intensifique a busca ativa de mulheres no início da gestação para que possam iniciar o pré-natal ainda no 1º trimestre (até a 12º semana). A busca ativa das gestantes faltantes ao pré-natal também deve ser intensificada. Realizar ultrassonografia obstétrica, ainda no 1º trimestre;
  • Intensifique as orientações sobre a importância de realização dos exames preconizados pelo Ministério da Saúde, incluindo o teste rápido para sífilis e HIV, e realização de vacinação de rotina para as gestantes. Investigue e mantenha o registro das informações na caderneta ou cartão da gestante sobre a ocorrência de infecções, rash cutâneo, exantema ou febre.
  • As consultas de Puericultura na Atenção Básica devem ser mantidas para os recémnascidos com microcefalia, com atenção especial ao seu crescimento e desenvolvimento.

    Na maternidade/hospital

  • As maternidades e hospitais devem adotar boas práticas de atenção ao parto e nascimento:
  • Estímulo ao parto normal;
  • Contato pele-a-pele entre mãe e recém-nascido (RN);
  • Clampeamento oportuno do cordão umbilical;
  • Amamentação na primeira hora de vida;
  • Realização de procedimentos de rotina após a primeira hora de vida; e
  • Seguir protocolo do Ministério da Saúde de reanimação neonatal em caso de necessidade.
  • Realize a anamnese da mãe e o exame físico completo do recém-nascido, incluindo exame neurológico detalhado, com destaque para a medição cuidadosa do perímetro cefálico (PC).
  • Seguindo recomendação da OMS, o Ministério da Saúde orienta adotar os parâmetros de InterGrowth, nas primeiras 48h de vida, para ambos os sexos.
  • Nessa nova tabela de referência, para uma criança que nasceu com 37 semanas de gestação, a medida de referência será 30,24 cm para meninas e 30,54 cm para meninos;
  • Orienta-se que a medição seja refeita com 24-48 horas de vida, pois a maioria dos RN por parto normal pode apresentar suturas cavalgadas (superpostas) que levam à redução do PC, que depois se normaliza;
  • A medida do PC deve ser repetida a cada consulta de puericultura após o nascimento, e qualquer desaceleração que coloque a medida do PC abaixo de -2 desvios padrões, para idade e sexo, pelas curvas da OMS e Intergrowth deve ser considerado suspeita de microcefalia e o caso deve ser notificado.

    Investigação laboratorial de casos suspeitos

    Para a triagem infecciosa (sorologias), coletar amostras para:

  • Sangue do cordão umbilical (3 mL);
  • Placenta (3 fragmentos de dimensões de 1cm3 cada);
  • Líquido cefalorraquidiano do RN (1 mL); e
  • Sangue da mãe (10 mL).
  • Teste rápido de Zika é destinado a gestantes e crianças que se enquadrem no protocolo unificado, conforme orientação

    Exames de imagem

  • Escolher a ultrassonografia transfontanela (US-TF), como primeira opção de exame de imagem;
  • A tomografia de crânio (TCC), sem contraste, deve ser indicada para recém-nascido cujo tamanho da fontanela impossibilite a US-TF e para aqueles em que, após os exames laboratoriais e a US-TF, ainda persista dúvida diagnóstica de microcefalia.
  • A ultrassonografia obstétrica é recomendada no primeiro trimestre de gestação, como rotina do pré-natal, para identificação de fetos com microcefalia e outras anomalias congênitas;
  • O Ministério da Saúde recomenda uma segunda ultrassonografia em torno da 30a semana gestacional Para ampliar o diagnóstico de possíveis alterações congênitas associadas à infecção pelas STORCH+Zika.
  • Atenção: A alta do RN não deve ser adiada por causa de exame de imagem! Caso ele não tenha sido realizado, deve-se agendá-lo para realização ambulatorial.

Triagem neonatal

A Triagem Neonatal (testes do pezinho, orelhinha e olhinho) deve ser realizada, possibilitando a detecção precoce de algumas doenças ou condições nos primeiros dias de vida.

Bebês com alteração detectada pelo Teste do Pezinho devem ser encaminhados para um Serviço de Referência em Triagem Neonatal/Acompanhamento e Tratamento de Doenças Congênitas.

A microcefalia e/ou alteração no sistema nervoso central está relacionada a alterações do desenvolvimento neuropsicomotor e do comportamento que podem ser acompanhadas por problemas auditivos e visuais.

Quando se identificar alterações na Triagem Neonatal, encaminhar o recém-nascido para um serviço de referência para a confirmação diagnóstica de deficiência auditiva ou visual. O RN diagnosticado com deficiência auditiva ou visual deve, então, ser encaminhado para um para serviço de reabilitação auditiva ou visual.

No centro de reabilitação

Crianças com microcefalia e prejuízos do desenvolvimento neuropsicomotor devem ser incluídas no Programa de Estimulação Precoce tão logo o bebê esteja clinicamente estável. A participação deve se estender até os três anos de idade para favorecer o desenvolvimento motor e cognitivo.

Todos os bebês com confirmação de microcefalia, além de acompanhados por meio da puericultura, também devem ser encaminhados para estimulação precoce em serviço de reabilitação.

Notificação

Os casos suspeitos deverão ser notificados imediatamente às autoridades sanitárias e registrados no formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública (RESP – Microcefalias), online e disponível no endereço eletrônico: www.resp.saude.gov.br

A notificação no RESP não exclui a necessidade de se notificar o mesmo caso no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e outros sistemas de informação.

LOCAL DE REGISTRO MOMENTO DA IDENTIFICAÇÃO DO CASO
PRÉ-NATAL AO NASCER NA PUERICULTURA
RESP
  • § Feto
  • § Aborto
  • § Óbito fetal/natimorto
  • fetal/natimorto
  • § Recém-nascido
  • § Feto
  • § Aborto
  • § Óbito fetal/natimorto
  • § Recém-nascido com microcefalia (menos 2 dp) e/ou outras anomalias congênitas
  • § Recém-nascido
  • § Criança
  • § Óbito neonatal precoce
§ Criança
SINASC § --
  • § Crânio pequeno congênito, definido por um perímetro cefálico (PC) abaixo do 3º desvio padrão das curvas apropriadas para idade e sexo.
  • § Se utilizar uma ou cut-off diferente (ex.: 2 desvios padrão), especificar o critério utilizado).
  • § Excluir microcefalia associada com anencefalia [Q00.-] ou cefalocele [Q01.-].
  • § Anomalias congênitas conforme manual do sistema
§ --
SIM § --
  • § Natimorto
  • § Óbito
§ Óbito
SINAN § Gestante suspeita ou confirmada § Gestante suspeita ou confirmada
  • § Mãe suspeita ou confirmada de infecção durante a gestação
  • § RN ou criança suspeita ou confirmada

Fonte: Ministério da Saúde

Saiba mais:

http://combateaedes.saude.gov.br/pt/profissional-e-gestor/orientacoes/77-profissionais-e-gestores

Boletins epidemiológicos do Minsitério da Saúde de agosto a dezembro de 2017

No período 2016/2017, foi registrado um dos eventos mais expressivos da história da FA no Brasil. A dispersão do vírus alcançou a costa leste brasileira, na região do bioma Mata Atlântica, que abriga uma ampla diversidade de primatas não humanos e de potenciais vetores silvestres e onde o vírus não era registrado há décadas. De acordo com o Boletim Epidemiológico n°28/2017, no período de monitoramento julho/2016 a junho/2017, foram confirmados 777 casos humanos e 261 óbitos, além de 1412 epizootias confirmadas em PNH (Figura 2).

Fonte: Ministério da Saúde.